O Blogue do 5.º A da Escola E.B. 2 e 3 Frei João- Agrupamento Afonso Betote pretende ser mais uma plataforma interactiva de comunicação entre a Escola e a Família, dois determinantes fundamentais da formação, educação e instrução de crianças e jovens.

terça-feira, outubro 05, 2004

VIVA A REPÚBLICA!


A paixão no caos Posted by Hello

A REVOLUÇÃO DE 5 DE OUTUBRO – A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

A proclamação da República, entoada simbolicamente por Eusébio Leão, secretário do Partido Republicano, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, na manhã, mais clara que tantas outras, de 5 de Outubro de 1910, foi um grito tonitruante de esperança num futuro que se iluminava, então, pelos altos valores da liberdade, igualdade e fraternidade. Felizmente o seu eco tem vida própria, trespassando os tempos, enfrentando as noites armadilhadas pelo medo, habitando os sonhos de alguns homens, os homens suficientes para de novo semearem no coração de muitos outros o horizonte do progresso cultural, social e moral, desígnio de toda a nação, renovado em Abril de 1974.
Quando eclodiu a revolução republicana de 5 de Outubro, Portugal contava com 5.960.056 analfabetos, que correspondiam a 75,1% da população nacional, indicador esmagador do estádio de subdesenvolvimento em que se encontrava atascado Portugal. Foi este o horrível legado de oito séculos, que a jovem república herdou da deposta e decrépita monarquia, que rapidamente foi banida do coração dos portugueses.

Convicto que o desenvolvimento de uma nação se alicerça na educação e na formação dos seus cidadãos, temos hoje, republicanos, jovens e velhos, que estar preocupados com o instituído caos na educação que o rotativismo PSD/PS no poder tem provocado e com a aparente ineficácia do sistema educativo, tão badalado por tantos, mas tão mal explicado e tão pouco compreendido.
O folhetim burlesco e humilhante da colocação dos professores, ainda sem fim à vista, culmina a desorientação que monarquicamente tem reinado na educação da jovem democracia republicana portuguesa. Das escolas copiadas de modelos estrangeiros, desadequadas ao nosso sistema de ensino (qual?) e às características climatéricas do país; de reformas, cuja existência fora dos decretos progenitores, se resumem ao desenrascanço das escolas e dos professores; da reformulação das reformas antes da sua paciente avaliação; ao colete-de-forças orçamental impostos aos órgãos executivos das escolas; à desqualificação da gestão e da profissão docente; passando pela ditadura de currículos absurdamente extensos, que subjugam toda a ciência pedagógica à necessidade de concluir os manuais, digo, os programas; à subordinação dos objectivos de alargamento da prática desportiva e da actividade física aos interesses e ao lobbing das federações desportivas, introduzindo lamentavelmente um forte factor de selecção no desporto escolar (o impedimento de treinos após as 18:30... para não colidir com os treinos dos alunos federados e redução do número de alunos de 20 para 15, como número indispensável para a formação dos grupos), bem como a duplicação da prática competitiva dos alunos federados (pois aos treinos não comparecem...) e, consequentemente, a redução das possibilidades de acesso à actividade física e desportiva dos alunos não praticantes; à instabilidade dos corpos docentes das escolas; à falta de segurança dentro e fora dos estabelecimentos; etc., etc., etc., são reveladores da enorme tarefa que a república tem entre mãos.

Uma tarefa hercúlea, sábia e bela, num tempo de descrédito, em que a escola, sem culpa própria, tem sido associada à ignorância, indisciplina, facilitismo e irresponsabilidade, epítetos que tem sido colados, de forma tantas vezes injusta, à nossa juventude.
Uma tarefa que só poderá ter um epílogo feliz se configurar um plano nacional. Este plano deverá consubstanciar um poderoso consenso entre as partes que possam dar um contributo útil, nomeadamente, partidos políticos, sindicatos de professores, universidades e similares, associações de pais, associações de alunos e associações empresariais, entre outras.
Deverá assentar num estudo que trace uma identificação rigorosa e extensa das questões problemáticas, dos constrangimentos e das necessidades educativas, formativas e laborais do país, elaborada por um colégio de sábios exteriores ao poder político.
Deverá ser operacionalizado num período não inferior a uma década e lançado sob a égide do presidente da república, que fiscalizará a sua aplicação assegurando que, qualquer que seja o partido político que use o poder, não adulterará a direcção traçada por consenso.
A educação deverá ser, na verdade, um desígnio prioritário da nação, mas não o único. As sociedades devem desenvolver-se de forma integrada e equilibrada. Não há, porém, verdadeiro desenvolvimento se construirmos casas para as famílias que viviam em barracas, mas não conseguirmos que os filhos se mantenham mais tempo na escola que os pais. É uma batalha que a democracia não está a ganhar de forma retumbante, pois continuam, um pouco por todo o lado, a surgir, como cogumelos venenosos, novos analfabetos, novos guetos, novos marginais, que a lamentável orientação conservadora dos dois últimos governos vem agravando, com graves consequências para a sociedade em geral, onde os sintomas mais visíveis são o abandono escolar prematuro e o aumento do desemprego, da prostituição, dos assaltos, da insegurança, da pobreza, enfim, da depressão generalizada da sociedade.

Por tudo isto e muito mais, a comemoração do 5 de Outubro, Dia da Implantação da República, deve servir para retemperar o aço dos ideais de progresso, de igualdade, de solidariedade, de liberdade e de fraternidade que marcaram as grandes revoluções republicanas, que constituíram sempre um passo em frente na história da humanidade.


Viva Portugal! Viva a República!